Sunday, June 1, 2008

eu gosto de fios condutores. é um desafio reconhecê-los.
quando se casou o meu amigo andré, em setembro, reencontrei uma grande amiga, a clara. amiga da escola primária com quem passava bastante tempo. tenho péssima memória, lembro-me mais de sensações e de emoções do que das coisas que lhes deram origem. não me lembro de fazer coisas com a clara, mas sei que a clara estava lá, estava muito lá. eu não a via há cerca de 15, 16 anos. eu adoro reencontros, sou ultra-romântica e gosto de me comover. fiquei histérica quando alguém me chamou na igreja, umas filas atrás. eram uns amigos de liceu, como o andré. e entre eles estava ela, que perguntou: lembras-te de mim? eu fiquei tão contente tão contente por ver aquela cara, mas era um contente meio coxo; não sabia, nem sei, o que esperar assim de uma re-união. a clara era filha dos donos do café onde os meus pais e os amigos dos meus pais iam, dos donos do báltico. naquela noite, falei horas com ela. contou-me a vida dela e eu a minha.
quando as pessoas contam histórias, e ainda mais a sua, contam a sua impressão. a clara falava e eu só pensava: a clara ficou uma gaja fixe, a clara ficou uma gaja fixe! o que até é muito estúpido porque por que raio não seria ela uma gaja fixe? contou-me do que se passou aqueles anos todos e de como foi fazendo as coisas e aí eu já sabia. sabia que sim, havia uma razão para eu lhe ter achado piada na altura e que foi uma sorte incrível poder ter sabido que tinha "crescido bem".
da super-conversa, lembro-me bem de duas coisas. primeiro, tive de lhe contar que os meus pais estavam divorciados, o que foi complicado porque repetiu-me umas 5 vezes que eles eram incríveis, grandes referências para ela, que a minha mãe era o máximo (e é) porque falava connosco como se fôssemos crescidos, de igual para igual, com respeito, e isso realmente não é muito usual. que nós os seis (eu tenho 3 irmãos lindos, lindos de morrer) éramos muito fixes e sempre felizes (e éramos). eu lá lhe disse, depois de ligar ao meu pai e à minha mãe a contar do grande reencontro. disse devagarinho, já um bocadinho grossa para ganhar coragem. disse devagarinho e expliquei que eles ainda eram brutais, os maiores. mas falava sem olhar para ela porque percebi que ia ser forte. e a clara não tem merdas, é rija, já passou por umas coisas e digeriu bem a cena. mas custou-me. quando olhei para ela, chorava. mas limpou a cara e a noite seguiu, assim crescidas e juntas, com gargalhadas.
o outro momento foi muito simples e muito bom. numa dessas gargalhadas, ela diz-me ris-te da mesma maneira, o teu riso não mudou. fiquei tão contente. eu gostei muito de ouvir isso.
enfim, ela mora no porto e hoje voltámos a falar no messenger. não falávamos desde o natal, acho. disse-lhe que quando me acontecia uma coisa boa, pensava que era fixe contar-lhe. e ela disse que também acontecia com ela a mesma coisa. se tudo correr bem, vejo-a quando voltar a queluz, já dentista, daqui a um mês.
a clara é, não é só mas também é, o meu fio condutor mais antigo. depois da família e dos amigos dos meus pais, vem a clara. isto é muito especial.

5 comentários:

Maria João June 1, 2008 at 3:39 PM  

Ui FILIPINHA como me encantas!!!!

Catarina June 2, 2008 at 4:36 AM  

brutalll

bellis June 2, 2008 at 3:58 PM  

fantásssssssssssstico!
Tu, minha querida, fascinas-me!
Hoje ouvi o som do piano...enacntou-me, foi mais um dos efes! f....e
beijinhos

MeriRosy June 4, 2008 at 6:12 AM  

Q NICE FILI!

Anonymous June 8, 2008 at 8:51 AM  

a miúda exprime-se muito bem, sim sim!

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