Wednesday, February 6, 2008

olha, 'tou aqui a beber uma cerveja.
gostava q estivessemos no pico a bebê-la juntas.

no verão de 2006, passei 3 semanas nos açores com uma amiga de lá, que abriu as portas da sua casa quando percebeu que eu precisava disso mesmo. eu fui, completamente de rastos, com a cabeça cheia de emoções e raciocínios forçados e retorcidos que se enrolavam nessas emoções e, de tanto sentir, andava tão cansada. os açores, ou a terceira e o pico (as vencedoras), são um lugar mágico que eu não sei descrever. a memória mais bonita que tenho foi a dos dias que passámos as duas numa casinha no pico que tinha como vista o mar o céu e a montanha.
quando a pessoa está naquelas fases de recomposição, ter o contexto físico reduzido ao essencial é brutal. o essencial era especificamente os elementos, a companhia amiga e o silêncio. (o silêncio aconteceu um bocado por acaso, já que do meu ipod lindo antigo desapareceram todas as músicas. todas.)
o mar e a montanha são tudo. no mar, a pessoa enfia-se, manda-se, ele apanha-nos. a montanha está lá. se a subirmos ou não, é indiferente: ela estará sempre lá. o mar integra e a pessoa revitaliza. a montanha põe-nos no cimo do mundo e a pessoa, sem saída, contempla e relativiza. o mar e a montanha permitem-nos sentir que fazemos parte de qualquer coisa de muito grande, de muito lindo; é um sentido de pertença diferente porque, neles, a experiência de cada um é de facto individual. é íntima, poderosa e reestruturante. como tudo o que faz com o corpo. é experiência erótica.
quando voltei dessa viagem, não vinha outra. mas fui relembrada, por causa da sónia, de que a vida tem os seus cambalachos, é uma montanha russa. aparecem pessoas que são tufões, que vão e vêm. e que, mesmo apesar de tudo, há o mar e a montanha. e o silêncio e a amizade.

quando bebo uma cerveja no fim do dia, sozinha, como hoje, lembro-me do Pico e das carlsbergs no fim do dia, que encerravam um minicliclo qualquer diário e abriam um outro.
uma vez, a tomar banho no melhor dos mares, eu e a sónia vimos tantos golfinhos e lembro-me de pensar que a felicidade consegue encontrar atalhos inesperados e espreitar por momentos no mar, entre montanhas, nos açores. e, claro, também a encontrei na alcatra, nos pés de torresmo, no kimo. mas sempre, sempre, nas cervejas no final do dia.

8 comentários:

Sónia February 7, 2008 at 2:45 AM  

Sim linda, aqueles momentos ficaram completamente colados à pele. A questão nunca se prendeu com o subir ou não a montanha, mas de entrarmos, de mergulharmos verdadeiramente dentro de nós. Estivémos uma com a outra. Estivémos. Simplesmente.

Ana Rute Cavaco February 7, 2008 at 3:54 AM  

agora tive inveja.

martalx February 7, 2008 at 4:36 AM  

fili, adoro-te. estou para aqui a ler e a rele este teu post vezes sem conta. que coisa mais bonita. do fundo do coração, mesmo.

carolina February 7, 2008 at 2:05 PM  

obrigada! sem palavras para mais.

Catarina February 8, 2008 at 3:42 AM  

tu és muita boa mana!!!!

Anonymous February 8, 2008 at 12:31 PM  

GOSTO MUITO DE TE LER. SOU UMA CUSCA CHAMA-DA TÉTÉ.

fili February 11, 2008 at 5:27 AM  

és tu que manténs a lucha a par da vida das sobrinhas, n és? muita fixe!!!!

Joana April 11, 2008 at 11:31 AM  

Fili, descobri este post (e o blog) através da Ana Rute e as tuas palavras tiveram um efeito tão poderoso em mim que gostava de saber se posso linkar a partir do meu blog. :)
Obrigada!

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