Wednesday, September 17, 2008

http://imagecache2.allposters.com/images/pic/SCR/30526~The-Godfather-Posters.jpg
os dois primeiros padrinhos foram restaurados e o film forum, um cinema de arte tão cool tão cool que os empregados até são arrogantes, está a passá-los. ontem fui ver o primeiro padrinho. ainda fico chocada com as pessoas neste género de salas que comem pipocas e bebem sumos meio inacreditáveis enquanto vêem filmes mais ou menos intelectuais. bom, perante uma filmaça, também eu vacilo.
mas, então, vi o padrinho num ecrã grande, nunca tinha visto!! as luzes apagam-se todas, não se ouve um pio, chegam as primeiras notas da música do filme, supergraves, bem pesadas e o ecrã a negro. na plateia, um tipo grita um yeahhhhhh!!! e começa a bater as palmas e mais algumas pessoas juntam-se, e eu a rir da cena tão bonita. umas 100 pessoas felizes que até batem palmas por ir ver o padrinho. e lá vi. os americanos riem-se de coisas de que a gente não se riria, acho. o que de alguma forma ajuda a desconstruir o filme. e, se ele resiste, é bom. é tão lindo.
é tudo lindo, o filme não tem explicação, já o vi bastantes vezes e vê-lo aqui e num cinema é um bocado intenso. passa-se muito em ny, as caras são iguais às das pessoas daqui - mas sempre menos assustadoras que as do the wire. havia silêncio muito forte na morte do sunny e um medo ainda maior e sempre em crescendo pelo michael, o grande al. a pessoa fica com vontade de se benzer. e pensar que foi feito por um miúdo a quem o estúdio deu um porradão de dinheiro, um miúdo que tinha feito muito poucas coisas, nada de lucrativo. uma pessoa reconheceu-lhe valor e, por ser italiano, as outras aceitaram. está lá a família toda dele, tem um estrutura impecável, actores brutais, é uma sinfonia gigante conduzida por um jovem mestre. tudo a mexer com as minhas tendências e paixões cinemáticas.
quando o filme acabou, já eu tinha vibrado imenso com a cena do cavalo, reconhecido o johnny guitar, me babado com tanta comida italiana, colocado de novo do lado da família assassina impiedosa, não resisti. a maneira de estar dos americanos no cinema não parece ter mudado muito desde o tempo do cinematógrafo, comem e bebem na sala, são super expressivos, batem palmas e tudo. e, ali, enfiada num lugar absurdamente pequeno, no meio de uma sala na esquina da houston com a 6ª av, eu fui americana. porque bati palmas com eles.

4 comentários:

Catarina September 18, 2008 at 1:42 AM  

:-)
que lindo mana!

Rita Leote September 18, 2008 at 4:43 AM  

Gostava tanto de ter partilhado desta felicidade contigo! Desfruta muito minha linda. Um bocado americana (no bom sentido claro) já tu és há algum tempo mulher!!! Mas percebo perfeitamente o que quiseste dizer (fez-me lembrar a Guiné, porque lá as pessoas, na sua maioria, também comentam os filmes e séries e a mim só me dava para rir. Mas também me manifestei muitas vezes com elas! Agora, pensando nisso, faz tanto sentido o que dizes... De te sentires americana porque também bateste palmas...) Muitas saudades... Tua Rita

martalx September 18, 2008 at 4:46 AM  

que descrição maravilhosa, fili. a malta não esteve aí contigo, mas quase nos fazes sentir que sim... um beijo enorme, um abraço daqueles e montes de saudades.

od September 19, 2008 at 4:16 AM  

Voçê é linda sabe o que quer, voçê é linda sim!
E eu aqui cheio de saudades tuas. Lipa como gostava de ter partilhado esse momento contigo in loco.
Aquele beijo e abraço

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