foi-me dito que o andrew wyeth, o pintor destes quadros, morreu este mês.
os mergulhos para dentro de água são tão bons quanto os mergulhos para dentro de todo o tipo de representações, words included. estou viciada em construir em espiral uma história, um contexto, um pormenor, a vida toda, à volta de cada retrato. em espiral porque é concêntrico o ponto de partida e é dele de ontem tudo vem e pode vir com muita força e a ideia fura para cima mas à volta dele. eu tenho uma entrada à qual se liga naturalmente a imagem o som a palavra mas a imagem acima de tudo, mas é só porque sou muito preguiçosa. eu sei que é assim com toda a gente.
e não tem só a ver com aquele prazer super básico e essencial de sentir o vento dentro de casa e alguma melancolia ao olhar lá para fora e perceber o caminho, ou relembrar a solidãozinha dramática numa imagem que por ser só espaço tem o tempo todo lá implicado, o interior pelo exterior.
mas o mais forte, o que hoje é o mais forte, num sábado de manhã com uma luz forte, com a secretária de frente para a janela que me mostra um caminho perpendicular e sem água, o mais forte é a cara do responsável por tudo isto:
Saturday, January 24, 2009
Thursday, January 15, 2009
Oh, so lovely...
Gosto muito desta ideia. As meninas andam todas a viajar para NY e eu ando a ficar cheia de vontade de ir lá dar um pulo... A única coisa que me impede a a falta de um salário a sério :). Tenho que me organizar...
Anyway, e voltando ao artigo :) Gostava de fazer o mesmo aqui, montar um mesinha e apropriar-me um pouco deste espaço livre entre o meu prédio e o descampado. Os meus vizinhos iriam achar estranhíssimo...
Publicada por Ju em 4:03 PM 0 comentários
Tuesday, January 13, 2009
The aim of the study...
"The aim of the study is not to verify anything, not even what you can remember. It is to know your experience. Because, at present, we know almost nothing about it. Everything you can tell me is valuable. I would like you to lend me your eyes, your sensitivity, your intelligence, your imagination. I have been working here for too long -I can no longer see things with a fresh look. I would like you to tell me as you go along what you see, what you think, what you feel, what you imagine; in short, everything that happens to you."
Colette Dufresne-Tassé
Andragogy in the museum
Roubei daqui
Publicada por Ju em 9:11 PM 0 comentários
Friday, January 9, 2009
Advanced Stile
Tenho andado a pensar que tenho negligenciado um pouco o blog :(
Não é que tenha o ímpeto de escrever muitas e muitas vezes, a tese faz dessas coisas e bloqueia-me até para isto. Mas quando penso se deveria então desistir chego sempre à conclusão que não... na verdade gosto muito do Sapal :). Tenho portanto de ser só um pouco mais sistemática (como deveria ser em relação a muitas outras coisas) e não complicar demasiado. Post sobre as coisas que gosto e que me vão interessando, acho que isso consigo. Anyway...
Entre outras coisas resolvi partilhar alguns dos blogs que tenho no meu "News Net Wire"... Neste momento são muitos, demasiados até, tenho que começar a eliminar alguns... e inserem-se em duas categorias: Craft/design blogs e food blogs. Eu sei... "que fútil", então as notícias, o trabalho, os amigos?". Bom, aí chego por outras vias. No NNW são estes os temas que me mantêm animada... (os food blogs por exemplo, são os melhores blogs para se colocarem num reader deste tipo... porque não são assim tão actualizados e todos os dias passamos os olhos por 2 ou 4 receitas novas, até que de repente uma nos interessa, ou inspira).
Bom, já estou aqui com uma lenga lenga demasiado grande e tenho que voltar ao trabalho. Toda esta introdução era só para para vos apresentar um blog que nem se quer tem nada a ver com isto tudo, mas que eu acho absolutamente delicioso e que quase todos os dias me deixa bem disposta:
O Advanced Stile
Acho que o título diz tudo :)
Um beijinho grande e bom ano para todos.
Publicada por Ju em 2:54 AM 0 comentários
Etiquetas: blogs
Friday, January 2, 2009
So clever...

"A set of wedding bands based on a recording of a person saying “I do”. These can be custom produced for any couple. The whole process of recording own voice and making wedding rings for each other is a unique experience."
Muito lindas esta joias que "gravam" o som... Aliás todas as colecções do Sakurako Shimizu são imensamente inteligentes, sem deixarem de ser lindas.
Estava aqui a tentar pensar que som ou palavra gostaria de gravar num anel... Não seria uma escolha fácil.
Publicada por Ju em 3:27 AM 0 comentários
Thursday, January 1, 2009
ontem quando percebemos tínhamos dançado mais de quatro horas de seguida.
a casa da teresa é das casas mais bonitas de lisboa e não é só porque há muitos livros a pedir para serem folheados. é em alvalade e alvalade deixa-me com frio. a casa da teresa pareceu-me desde o início qualquer coisa do género de um esconderijo. há um corredorzinho a dar o acesso à sala, muito cheia de tudo e ontem para além de nós dois estavam mais quatro e mais dois gatos. esta é das casas em que gatos fazem todo o sentido. eu sinto muito os meus contornos e agora quando me dou com alguém sinto que são os meus contornos a moverem-se e eu estou enfiada lá bem para dentro deles. às vezes até acontece estar mais perto dessas linhas e estar eu toda presente no acto. pois e quando se dança é sempre catártico e não ando muito para catarses. se não tivesse passado ontem a noite naquela casa tão bonita e quente com aquelas pessoas duvido que tivesse dançado e rido tanto. e logo agora em que o valor da gargalhada genuína e do salto sentido subiu loucamente.
Publicada por Filipa Rosário em 1:03 PM 1 comentários
a minha casa é bastante grande e nem por isso muito fria. a humidade entra por tudo adentro e não gosto de sentir as cadeiras de madeira peganhentas e ontem senti. gostava que houvesse calor, que a humidade fosse quente e que pudesse retirar as saias leves do verão das caixas pretas do ikea. na ericeira não usava muitas saias leves. passava lá o agosto e sabiam-me bem calças e mangas comprida. chegava a chover. chover no meio das férias de verão é esquisito mas não me importava nada, até gostava. sonho muitas vezes com temporadas ao pé da praia, casinhas alugadas ao mês, muito peixinho e fruta. sobretudo aquela coisa de voltar para casa no fim da praia e não ser preciso andar de carro e isto várias semanas de seguida. brincar às aldeias ao pé do mar. a ideia de um mês no rio de janeiro, perto da praia, tem vindo a assaltar-me e essa é uma onda que eu gostaria de furar.
Publicada por Filipa Rosário em 12:50 PM 1 comentários
titãs
para que o novo ano se faça sob as respectivas bênçãos
(eu gosto muito deste clip nem é tanto por incluir 2 dos 5 homens mais bonitos do mundo todo ou de existir uma rede na sala ou de o caetano estar de pernas cruzadas no chão ou do cabelo arrumadinho do chico ou de cantarem e tocarem alternadamente duas músicas lindíssimas. eu gosto é de ouvir o cão lá atrás e imaginar que faço parte do fora de campo daquela sala com aqueles dois homens absolutamente perfeitos e que sacralizam o mundo em que eu moro. a coisa mais fixe deste clip é o cão que ladra enquanto eles cantam.)
Publicada por Filipa Rosário em 12:34 PM 0 comentários
Saturday, December 27, 2008
:)

Poster anti-guerra com a Joan Baez e as suas irmãs, Pauline and Mimi, em 1968.
daqui
Publicada por Ju em 2:54 AM 0 comentários
Friday, December 26, 2008
o meu natal com o tempo desdobrou-se em muitos, com novas combinações de pessoas, outros espaços, o peito é grande cabem lá todos mas durantes estes dias há um anulamento pessoal qualquer, parece que estou a ver de fora, de cima. estive com o meu irmão, o meu pai, a minha irmã apareceu num dos jantares, sempre muito convívio, muita papelada, muitos obrigadas, muita gente, muito fixe. aconteceu tanta coisa desde o regresso que a viagem parece estar para trás, e também para cima. hoje colei muitos postais no armário do meu quarto, o que lhe disfarça a pinta ikea asséptica com um mini caos de imagens maravilhosas. assim não deixo que a estadia lá em nova iorque perca o lado real, assim trago marcas de vidinha, como diz o jp, para perto da minha cama, o local sagrado. o ano novo que venha.
Publicada por Filipa Rosário em 6:36 AM 0 comentários
Tuesday, December 16, 2008
Monday, December 15, 2008
Orçamentos
Muitas contas se fazem em época de natal... que angústia.
Publicada por Ju em 12:21 AM 0 comentários
Monday, December 8, 2008
e passaram 3 meses certinhos tão bons, muito intensos, muito românticos e muito cool. da outra vez, no último dia, eu, que gosto de closures, vi o manhattan do woody allen que foi o meu filme da vida durante uns anos e à noite fui com a querida joana ao empire state building. estava emocionada e feliz. desta vez, não sinto necessidade de desenhar o the end, porque a última coisa que eu quero é o fim.
mas pensei num post. queria postar bocados de filmes que fazem o meu sentido, o início do manhattan, a idade da inocência do scorsese, a chinatown da rosa púrpura do cairo (acho), qualquer coisa do spike lee, talvez o lou reed, o when harry met sally, o an affair to remember, o normal.
mas a verdade é que há um único filminho que junta tudo o que nova iorque é em mim, ou foi até ao momento da chegada, mas que continua muito vivo ainda para lá disso. lembro-me de, novinha, o videoclip passar na televisão e eu emocionar-me. é muito embaraçante, mesmo.
convém explicar que tenho um tio que vivia na américa (aqui, in fact) na altura e que eu gostava já de ver filmes. spielberg e assim. o tio sempre foi um bocado qualquer coisa meio fascinante porque não só decidiu ir viver para longe da família, coisa que era super rara e admirável, como escolheu morar em nova iorque. era o meu tio da américa. trazia sempre presentes super loucos para todos, então nova iorque era mais mágica ainda. ele parecia gostar muito, tudo aquilo mexia comigo, ainda mexe claro está.
assim, os filmes e os videoclips passados em nyc, eu gostava deles porque eram fixes mas também porque estavam ligados a uma realidade/liberdade qualquer que eu só conhecia através desse tio, de quem nem sequer era próxima.
quando o videoclip que eu amava aparece, começou logo a funcionar como um selo. tau! a música é xaroposa, tem blacks a cantar, tem uma história pirosíssima, mas sobretudo o pano de fundo é nova iorque. eu acho q na altura nem conseguia perceber isto que estou a dizer, mas sentia genuinamente tudo isto que estou a descrever. as pessoas com casacões em movimento em ruas em obras. pessoas a sair do metro, pessoas com ar pouco feliz, a viver concretamente a vida delas, pessoas num autocarro. era a imagem de nova iorque nos 80's. lembro-me tb na escola primária de ser-nos explicada a paisagem rural e a paisagem da cidade, e eu sentir tão mais, mas tão mais da cidade.
eu tenho muita vergonha de partilhar isto, mas isto sou eu e por isso a vergonha que se lixe.este é o videoclip:
não é maravilhoso? dentro da categoria "sem explicação", gosto verdadeiramente dele. (eu cresci, o tio emprestou-me 2 vezes a casa dele em nova iorque e nem tenho como lhe agradecer.)
Publicada por Filipa Rosário em 7:12 PM 1 comentários
Tuesday, December 2, 2008
Monday, December 1, 2008
ao contrário da ju, ou do desenho que a ju postou, não estou stuck, deveria até estar um bocadinho mas não estou. de amanhã a uma semana, dar-se-á o regresso. apetece-me dar um abraço forte a cada uma das minhas pessoas, as tais que viveram as mudanças todas nas suas vidas. tenho curiosidade em saber como estão as vidinhas de todos, se tudo mudou para que tudo fique na mesma ou se, in fact, há realmente alteração. (na vida de algumas, sei bem que sim.) eu tenho saudades de muita coisa, mas é uma saudadinha leve e simpática. se essa saudade fizesse um braço de ferro com a vontade que tenho de continuar por aqui, perderia. a cidade é viciante, aqui o acesso às coisas do meu coração é tão mais facilitado, o trabalho tem sido feito. passei muito tempo sentadinha na labuta e o tamanho do meu rabiosque é disso prova. n fui a muitos museus, fui a alguns concertos e fui imenso ao cinema. vi realizadores maravilhosos à frente e a minha cabeça ganhou uma outra percepção desta coisa dos filmes. não me livro da sensação de ser uma pulguinha pequenina a picar territórios infinitos de ideias, mas já cá canta mais conhecimentozinho. comi coisas novas e bebi pouco, porque é caro. comi muitos muitos doces. nadei menos. (e o tamanho do meu rabiosque também é disso prova.) revi caras, assisti a uma cadeira maravilhosa dada por um professor maravilhoso. voltei a sítios e conheci outros que criaram em mim vontade de a eles voltar. não comprei muitos cd's, mas comprei bastantes dvd's. se pudesse morava no cinema americano dos anos 70, mas seria triste. vi um filme que fez a ponte toda entre a minha paranóia (a mais antiga) com os 60's e 70's e o tema da minha tese, deu alguma closure a um fio condutor qualquer, chama-se alice's restaurant e é do arthur penn, o realizador do bonnie and clyde.
eu, se pudesse, ficaria. como não posso, penso no mais. galões e tostas de queijos, sobrinhos a treparem por mim acima, melgar os meus irmãos, passeios com o jp no carro dele a ouvir qualquer coisa a caminho de um sítio qualquer, as caras e as vozes e o toque de toda a gente. a pessoa não se pode pôr com muitas merdas. eu continuo a agradecer a minha sorte, eu sinto-me agradecida.
tanta medida tirada não me deixa cair dentro do capítulo. volto a ele.
Publicada por Filipa Rosário em 1:43 PM 2 comentários

