Sunday, September 2, 2007

estou a fazer uma tese sobre filmes que se passem on the road, na américa. simpatizo tanto com músicas de essência blue que dão voz àqueles que andam por aí, à procura de um fio condutor dentro de si mesmos. sem dramas e assim. a pessoa passa sempre por momentos destes e parece-me que a minha geração está muito no mesmo barco à conta de não ter o norte tão claro - o que não tem de ser mau, dá pinta e surgem soluções mais criativas e ricas, muita vez. eu adoro deixar-me enrolar na rebentação da onda forte mas não dramática. é a vertigem.
as músicas filmes livros que dão voz à malta como a malta, que está um pouco "por aí" são o contrário de estar na rebentação das ondas, são bom porto.
um porto a que recorro há uns anos é do Cartola, chama-se "Preciso me encontrar" e a Marisa Monte não canta nada mal. É o poema seguinte, com cavaquinho, pandeiro, violão e um swing jeitoso que traz a melancolia das palavras cá mais para cima e a pessoa só pode abanar-se, entender e deixá-lo ir. É mesmo bonita.

Preciso me encontrar


Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar

Thursday, August 30, 2007

No Country for Old Man



Irmão Coen + Javier Bardem + o actor que fazia de irmão mais velho nos Goonies

Muito Bom...

Wednesday, August 29, 2007

e se eu nunca conseguir deixar de me passar com o big picture das coisas?
é que já vou para os 30...

a casa nova tem um corredor comprido e um pé direito alto. as portas são brancas com maçanetas douradas (dispensável). o chão é de soalho flutuante e é desnivelado, porque a casa é velhinha mas está remodelada. a cozinha e a sala dão para um terraço fixe, cercado por outros terraços por todos os outros lados. faz lembrar as traseiras daqueles quarteirões ingleses, em cidades feias e escuras e húmidas. as traseiras a dar umas para as outras, tudo delimitadíssimo e, dentro de cada bocado de terra, o caos total. o nosso terraço ainda não tem nada, há-de ficar giro. de qualquer maneira, não está desabitado. os aristogatos andam por lá e entram e saiem de todos os terraço como se dominassem a cena. eu, perante gatos, costumo ser perdedora. vamos ter de ser amigos. mas, dizia, os terraços são todos muito diferentes e dá-me ideia de que vou ter a minha muito própria janela indiscreta, que sou dada à observação do alheio.
é um glamour muito próprio, o da morais soares. um amigo dizia noutro que tinha bom potencial literário, ou qualquer coisa do género. eu apontaria mais, por causa do andamento, do som e da luz, para qualquer coisa de muito cinematográfico e de muito lisboeta.

o rio está mais longe mas continua perto.

Monday, August 27, 2007

Livraria Cultura

Curta Cultura




(A Fnac bem que podia lançar uma iniciativa desta, em vez de não me devolver o dinheiro da minha encomenda on-line cancelada ou de me vender impressoras não compatíveis com o meu computador.)

o stress começa a tender para menos infinito.
esta imagem tem cores tão lindas mas os tons são não-verão.
mas a pessoa em mudanças tem um ar tão bonito e tranquilo.
penso no primeiro mergulho no mar, já na outra casa.
e vou apontar para aquela expressão nos próximos dias.

Friday, August 24, 2007

Ah, se eu fosse uma menina rica...



... era aqui que ficava, na minha viagem a Barcelona :)












No Hotel Casa Camper...

talvez andar às voltas com o cohen, ao acordar, não seja a coisa mais inteligente para se fazer.

quando nos mudámos de queluz para lisboa (a minha família nuclear), eu e a catarina fomos airosamente acampar ou assim com os babes da altura. quando chegámos ao bairro de s. miguel, já tudo tinha aterrado, um privilégio gigante. quando fui morar com a marta para a bica, combinei com os amigos que me ajudavam e eu oferecia um almoço ali, no dantas, e a coisa fez-se assim, foram lindos e como é que não haveria de ser uma pessoa de pessoas? da bica para a rua da cornucópia, foi mais normal. a sandrine juntou-se e foi uma festa, para mim foi uma festa, houve homens de mudanças e tudo. até porque a casa tinha estores, um up-grade magnífico, uma pessoa aprende a apreciar estas coisas. de lá para aqui, foi mais sério. mas lembro-me de 6 de nós carregarmos a cama dali de cima para aqui, na rua, à noite. um grupo de gente com um colchão no ar, tipo procissão, a minha santa é a minha cama, isso sem dúvida. e depois o estrado da cama nem passava pelas escadas, teve de ir pela casa de baixo e erguido até ali, a jussara em cima do telheiro do ginário improvisado do meu vizinho a passar a coisa ao bruno e eu a ver, eu é mais ver.

porra, tenho tanto medo desta mudança. credo.

Thursday, August 23, 2007

Ang Lee



Tenho um fraquinho pelos filmes deste senhor desde o tempo do "Comer, beber, homem, mulher". Não que goste de todos os seus filmes, alguns até odeio, mas é daqueles realizadores que gosto de ir acompanhando e cujo o percurso não deixa de me surpreender. Isto significa que este é provavelmente um dos meus poucos realizadores de estimação, o que não deixa de ser estranho :) (estava aqui a tentar teorizar um pouco sobre a razão desta minha simpatia pelo senhor Lee, mas creio que é daquelas afinidades que vêm de longe e que não se explicam)

Este último filme parece interessante.

Coisas do mar


Tenho um fraquinho muito, muito, muito, muito grande por tudo o que tenha a ver ou vá buscar inspiração a conchas, ouriços, fósseis... Talvez tenha algo a ver com as horas intermináveis (literalmente) que passei na minha infância apanhando búzios e conchas e fósseis por todas as praias e arribas por onde passei. Uma verdadeira mania que acabou por me definir o gosto em torno das suas formas orgânicas. Quando era mais jovem gostava sobretudo de colares e anéis feitos com as próprias conchas. Hoje dou por mim muito fascinada com todos os artistas que de inspiram nas suas formas para criar novos objectos (um dia hei de mostrar aqui uns que tenho cá por casa).
Hoje encontrei este simples colar, no site da ETSY (que é um pequeno, aliás grande, baú de tesouros), numa loja chamada Leeloostudio, que é perfeito (apesar da corrente mixuruca) porque me lembra os milhares de búzios que encontrei assim danificados, muito mais bonitos do que se estivessem inteiros. Devo ter algures ainda uma fotos minhas, muito pequenina e moreninha, com "the real thing" pendurada ao pescoço (ai, a infância, a infância....).






















bons dias




Wednesday, August 22, 2007





Uma coisa boa de estar na suiça é que tenho aceso a uma série de programas de culinária na televisão italiana. Um canal em particular passa horas e horas destas receitas "casalinghe" e fáceis de preparar que fazem água na boca. Eu fico como que hipnotizada enquanto os senhores preparam pesto de folhas de aipo, espuma de mortadela, funcho panado com amêndoa, almôndegas de mini lulas, timbalo de bringela ou espetadas de espadarte. Agora no verão, pelo menos, o programa estava assim numa versão best-off em que passavam as melhores receitas que por lá tinham feito (dia dos fritos, das entradas, dos vegetais frios etc...). Acho que seria capaz de ver horas e horas de programas como este, só para ver se o meu cérebro desbloqueia e começo a fazer alguma coisa de criativo (a tese está a dar cabo de mim, nesse sentido).


Bom, algo terá funcionado que quando cheguei resolvi experimentar uma receita louca que tinha visto numa revista: pesto de laranja. Como obviamente não a escrevi tive que inventar um pouquinho, mas o resultado foi até bastante agradável.

põe-se num liquidificador um dente de alho pequenino, uma laranja descascada sem semente ou peles brancas, várias folhas de mangericão e amêndoas descascadas, uma pitada de sal, e um pouco de azeite. Esta é a minha versão, não me lembro se na original tinha queijo parmesão, mas como não gosto muito de queijo decidi que não.

A mistura de amêndoa, laranja e mangericão fica estranhamente boa. A única coisa é que usei um dente de alho grande e ficou a saber demasiado a alho, portanto imagino que a dose seja menor. Como massa usei uns fusili integrais que tinha comprado no Continente, e a conjunção ficou boa... esta massa tem mais sabor e contrastou com o sabor aromático do pesto.

Pronto é isso... A foto não tem nada a ver, é uma flor pequenina que achei lá em bellinzona e que achei muito bonitinha.

a minha sensibilidade musical ficou congelada nas décadas de 60, 70. eu vivo no mundo de hoje mas ponho no repeat o neil young (da altura) e não percebo bem porque é que as pessoas todas não fazem o mesmo. deliro com as mojos e as uncuts deste mundo. ouço as músicas daquela altura e parecem-me novas ainda hoje. e ainda não parei de ouvi-las porque não se gastam, como é possível? e depois é viver em 2007 e aplicar à realidade uma banda sonora "datada" e sacar da combinação um filme improvável que, como é o meu filme, parece-me o mais normal do mundo mas eu sei que não é.

é por isso que eu amo o wes anderson, um mestre na arte da boa banda sonora, entre outras artes, até porque trabalha desde sempre com um outro mestre da música, o mark mothersbaugh, ex-devo. todas as bandas sonoras do wes anderson são perfeitas, todas todas. basta pensar no seu jorge a fazer versões em brasileiro do ziggy stardust. são pensadas ao lado de alguém mais velho que compreende o novo, e revelam essa coisa linda que é basicamente a regeneração genuína.
a pessoa pode perder-se nessa combinação única (a banda sonora do lula e a baleia roça a mesma mestria, mas é produzido pelo wes anderson...), a pessoa quer. pelo menos, esta pessoa.
hoje, uma amiga mandou-me o alone again or, dos love, tema e banda da minha vida, e que integra a banda sonora do primeiro filme do senhor.
a mesma amiga que delira com o realizador e que me enviou o trailer do novo filme dele. passa-se na índia e o trio maravilha de irmãos (owen wilson, jason schwartzman, adrien brody) fazem uma viagem na índia para se descobrirem e revitalizarem a relação fraterna. o filme chama-se the darjeeling limited. só pelo título e por esta fotografia, o rapaz merece tudo.
ele cria microcosmos muito específicos mas com referentes familiares, fá-los chegar a um ponto nada provável, mas sempre muito confortável e mágico. a banda sonora deste filme é feita a partir das bandas sonoras do gandhi e dos filmes do james ivory.
eu não vi o filme, mas já sou fã. esperemos que não caia de muito alto.

notinha: o joão lisboa diz, a propósito do richard thomspon e do randy newman:
Ser um clássico é assim. Mesmo que, no caso, não se trate de dois clássicos cujos nomes andem propriamente na ponta da língua de toda a gente. O que é ainda uma outra forma de ser clássico, se quiserem, um clássico dos "selected few". Richard Thompson e Randy Newman pertencem indiscutivelmente a essa categoria, a qual lhes autoriza a possibilidade de — quando estão para aí virados, é outro luxo de poucos — gravarem discos que, sem exibirem a ambição de descobrir a roda pela segunda vez, se podem gabar de não descenderem de mais nada nem de mais ninguém que não seja a obra dos seus próprios autores. E que nos obriga a não os comparamos senão com eles mesmos ou com os seus pares da mesma estatura.
talvez seja um esticanço, mas o wes anderson está muito próximo disso. o campeonato é outro, ele tem de crescer, é a coisa de querer fazer a roda. mas ele está próximo.

Tuesday, August 21, 2007

Borboletas (2)...



Gosto muito desta imagem (que já foi o meu desktop).
As malvadas das borboletas são lindas mas aparecem sem ser convidadas e deixam-nos um pouco à nora...


























não estão no estômago mas quando partem fica tudo leve, como tem de ser.

para a minha irmã catarina

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